O Que Fazer ao Receber uma Intimação de Medidas Protetivas em Porto Alegre – Dr. Lúcio Saldanha, Advogado Criminalista
Recebi uma Intimação de Medidas Protetivas em Porto Alegre. E Agora? Receber uma intimação informando que foram concedidas medidas protetivas de urgência pode ser uma situação extremamente preocupante. Muitas pessoas são surpreendidas por uma decisão judicial que impõe restrições importantes à sua rotina, sem saber exatamente quais são seus direitos, deveres e quais providências devem ser tomadas.
Se você recebeu uma intimação relacionada à Lei Maria da Penha em Porto Alegre, é fundamental agir com cautela e compreender o alcance da decisão judicial.
Neste artigo, explicaremos como funcionam as medidas protetivas, quais são as consequências do descumprimento, como ocorre a investigação e quais medidas jurídicas podem ser analisadas no caso concreto.
O Que São Medidas Protetivas de Urgência?
As medidas protetivas estão previstas na Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha.
Elas têm como objetivo proteger mulheres que alegam estar em situação de violência doméstica ou familiar.
Após o registro de uma ocorrência policial ou apresentação de pedido ao Poder Judiciário, o juiz poderá conceder medidas destinadas a evitar novos fatos ou situações de risco.
Entre as medidas mais comuns estão:
• Proibição de contato por telefone, mensagens ou redes sociais;
• Proibição de aproximação da suposta vítima;
• Afastamento do lar ou residência;
• Proibição de frequentar determinados locais;
• Restrições relacionadas aos filhos;
• Suspensão do porte de arma, quando existente.
Muitas vezes a decisão é concedida em caráter de urgência.
O Que Significa Receber a Intimação?
A intimação é a comunicação formal de que existe uma decisão judicial em vigor.
A partir do momento em que a pessoa toma ciência da medida, passa a ter a obrigação de cumprir rigorosamente todas as determinações impostas pelo magistrado.
Ignorar a intimação ou deixar de observar as restrições pode gerar graves consequências jurídicas.
Por esse motivo, a primeira providência é ler atentamente todo o conteúdo da decisão.
Primeira Orientação: Não Descumpra a Medida Protetiva
Um dos erros mais comuns ocorre quando a pessoa acredita que poderá resolver a situação diretamente com a mulher que solicitou a proteção.
Isso pode gerar sérios problemas.
Mesmo que exista interesse mútuo em conversar, a decisão judicial deve ser respeitada até eventual modificação ou revogação pelo Poder Judiciário.
Enquanto a medida estiver em vigor, qualquer contato proibido poderá ser interpretado como descumprimento da ordem judicial.
O Descumprimento de Medida Protetiva É Crime?
Sim.
A legislação brasileira prevê crime específico para quem descumpre decisão judicial que concede medidas protetivas de urgência.
Dependendo da situação, o descumprimento pode resultar em:
• Prisão em flagrante;
• Instauração de novo procedimento criminal;
• Pedido de prisão preventiva;
• Agravamento da situação processual.
Por isso, o cumprimento integral da decisão é indispensável.
Posso Entrar em Contato Com a Mulher Que Pediu a Medida?
Depende do conteúdo da decisão judicial.
Se houver proibição de contato, ela deve ser rigorosamente respeitada.
Isso inclui:
• Ligações telefônicas;
• Mensagens de WhatsApp;
• SMS;
• E-mails;
• Redes sociais;
• Contato por intermédio de terceiros.
Muitas pessoas acreditam que uma simples mensagem para "resolver a situação" não terá consequências, mas isso pode ser interpretado como descumprimento da medida.
A Medida Protetiva Significa Que Fui Condenado?
Não.
A concessão da medida protetiva não representa condenação criminal.
Trata-se de uma decisão cautelar destinada à proteção da pessoa requerente.
A investigação policial e eventual processo criminal seguem procedimentos próprios e independentes.
Portanto, a existência da medida não significa que houve reconhecimento definitivo de culpa.
Como Funciona a Investigação Após a Concessão da Medida?
Em muitos casos, além do procedimento relacionado às medidas protetivas, existe um inquérito policial em andamento.
A investigação pode apurar supostas infrações como:
• Ameaça;
• Lesão corporal;
• Injúria;
• Difamação;
• Perseguição (stalking);
• Violação de domicílio;
• Descumprimento de medida protetiva.
Durante a investigação podem ser produzidos diversos elementos de prova.
Quais Provas Costumam Ser Utilizadas?
Cada caso possui suas particularidades.
Entretanto, frequentemente são analisados:
• Depoimentos;
• Mensagens;
• Áudios;
• Fotografias;
• Vídeos;
• Registros telefônicos;
• Documentos médicos;
• Laudos periciais.
A análise do conjunto probatório é fundamental para a compreensão do caso.
É Possível Recorrer da Medida Protetiva?
Dependendo das circunstâncias, existem medidas jurídicas que podem ser analisadas para questionar, revisar ou buscar a revogação das restrições impostas.
A estratégia adequada dependerá de fatores como:
• Conteúdo da decisão;
• Situação processual;
• Elementos existentes nos autos;
• Histórico do caso.
Cada situação exige avaliação individualizada.
Posso Pedir a Revogação da Medida?
Em determinadas situações, pode ser apresentado pedido de revogação ou modificação das medidas protetivas.
O pedido será analisado pelo juiz responsável.
É importante destacar que as medidas continuam válidas enquanto não houver nova decisão judicial.
O Que Fazer Imediatamente Após Receber a Intimação?
As principais recomendações são:
1. Leia toda a decisão judicial
Verifique exatamente quais restrições foram impostas.
2. Respeite integralmente as determinações
Evite qualquer comportamento que possa ser interpretado como descumprimento.
3. Preserve documentos e provas
Mensagens, registros de conversas, fotografias e outros elementos podem ser relevantes para a análise do caso.
4. Compareça aos atos processuais quando intimado
Audiências e demais convocações judiciais devem ser observadas.
5. Busque orientação jurídica
A análise técnica do procedimento é importante para compreender os desdobramentos da investigação e das medidas judiciais existentes.
O Que Acontece Se Eu Ignorar a Intimação?
Ignorar uma intimação judicial não faz com que a medida deixe de existir.
Ao contrário.
A ausência de providências pode resultar em:
• Perda de prazos processuais;
• Dificuldade na apresentação de defesa;
• Agravamento da situação jurídica;
• Risco de responsabilização por descumprimento.
Por isso, toda comunicação judicial deve ser levada a sério.
Para saber mais sobre pedidos de revogação das medidas protetivas em Porto Alegre, acesse:
Perguntas Frequentes Sobre Medidas Protetivas em Porto Alegre
Receber medida protetiva significa condenação?
Não. Trata-se de medida cautelar.
Posso mandar mensagem para a mulher?
Somente se não houver proibição judicial.
Posso ser preso por descumprir a medida?
Dependendo das circunstâncias, sim.
A mulher pode pedir a retirada da medida?
Pode manifestar interesse, mas a decisão final cabe ao juiz.
Posso recorrer da decisão?
Dependendo do caso concreto, existem medidas jurídicas que podem ser analisadas.
Quanto tempo dura uma medida protetiva?
A duração varia conforme a situação e a decisão judicial.
O pedido de revogação suspende automaticamente a medida?
Não. As restrições permanecem válidas até nova decisão do magistrado.
Conclusão
Receber uma intimação de medidas protetivas em Porto Alegre exige atenção imediata e compreensão exata das determinações impostas pelo Poder Judiciário. Embora a medida protetiva não represente condenação criminal, seu descumprimento pode gerar consequências graves, incluindo responsabilização criminal e até mesmo prisão.
Por esse motivo, a recomendação é compreender integralmente o conteúdo da decisão, respeitar todas as restrições impostas e acompanhar adequadamente o andamento do procedimento judicial e da eventual investigação criminal relacionada aos fatos.
O conhecimento dos direitos e deveres envolvidos é essencial para que a situação seja enfrentada de forma segura e dentro dos limites da legislação vigente.

